O mercado físico do boi gordo em Mato Grosso do Sul inicia a segunda quinzena de agosto mantendo a tendência de firmeza e sustentação de preços observada ao longo do mês. De acordo com dados apurados pela Scot Consultoria e referendados por analistas do setor, a escassez de animais prontos para o abate e as escalas pressionadas nos frigoríficos locais continuam ditando o ritmo das negociações.
Enquanto o cenário nacional indica estabilidade na maioria das 33 praças monitoradas pelo país, o estado de Mato Grosso do Sul se destaca com reajustes positivos, especialmente na praça de Campo Grande, onde a arroba voltou a subir.
Nas principais praças de comercialização do estado, os valores de referência para negócios com prazo de 30 dias apresentam a seguinte configuração nesta quinta-feira:
- Campo Grande: Valorizado em R$ 343,00 por arroba (alta de R$ 1,00 na comparação diária; preço à vista balizado em R$ 339,00).
- Dourados: Estável em R$ 343,00 por arroba (preço à vista em R$ 339,00).
- Três Lagoas: Cotado a R$ 340,00 por arroba (preço à vista em R$ 336,00).
Para o padrão "Boi China" (animais jovens de até 30 meses voltados à exportação), os prêmios permanecem atrativos, mantendo uma média de referência estadual na casa dos R$ 345,00 por arroba.
No segmento de fêmeas, a vaca gorda registrou estabilidade na capital e em Três Lagoas, mas apresentou ligeira valorização em Dourados, negociada na média de R$ 318,00 a R$ 319,00 à vista.
Segundo o Sistema Famasul, o comportamento do mercado reflete diretamente a transição das pastagens e a postura cautelosa do produtor sul-mato-grossense. Com o período de seca limitando a qualidade do pasto, os pecuaristas que possuem animais confinados seguram a boiada à espera de melhores margens, reduzindo o volume de ofertas no mercado spot (balcão).
Do lado das indústrias frigoríficas, as programações de compra e abate recuaram para uma média de 6,1 dias no estado. Essa condição de escala considerada "curta" força as indústrias a pagarem prêmios ou aceitarem os preços máximos pedidos pelos pecuaristas para evitar a ociosidade das plantas.
A firmeza no mercado físico encontra eco na Bolsa de Valores (B3). Os contratos futuros de boi gordo sinalizam um cenário de forte otimismo para a reta final do segundo semestre de 2026. Os contratos com vencimento em outubro e novembro de 2026 já superam os R$ 360,00 a R$ 365,00 por arroba, indicando que a entressafra deste ano deve manter os preços elevados.
Já no mercado de reposição, o cenário desafia as margens do invernista. O bezerro de reposição Nelore em MS está cotado hoje na expressiva média de R$ 3.389,33 por cabeça, o que mantém a relação de troca apertada e exige máxima eficiência técnica na engorda.
A expectativa para os próximos dias é de que o mercado mantenha a movimentação lateral, oscilando de estável a ligeiramente altista, a depender do comportamento das exportações (principalmente para o mercado chinês) e do ritmo de consumo interno de carne bovina no atacado.